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      2 Oct 2007

      Perdeu, playboy...

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      (para ler ouvindo “Cachimbo da paz”, de “Gabriel o Pensador”)

       

      Na semana passada o apresentador Luciano Huck foi assaltado. Bandidos levaram seu Rolex nos Jardins, São Paulo. Huck nada pôde fazer pois desistiu de andar de carro blindado por “filosofia”. Mais detalhes da história e da sua indignação podem ser encontrados no texto que a vítima publicou na Folha de São Paulo desta segunda-feira, primeiro de outubro. Como o link para o texto original é restrito aos assinantes do jornal e do provedor, vou transcrever alguns trechos mais interessantes aqui, e aproveitarei para adicionar minhas impressões particulares sobre o ocorrido e a atual situação da violência no Brasil.

       

      “LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura. Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio.“

       

      Um relógio, não. Um Rolex. Uma jóia, muito valiosa. Apenas para fins de comparação, lembro que em fevereiro morreu uma criança de seis anos arrastada por sete quilômetros num assalto “por causa de” um Corsa Sedan, que com certeza vale menos que o Rolex.

      Não que eu queira justificar que a posse de um Rolex é uma afronta à pobreza espalhada pelo país, e que isto justifica o crime. Acredito que o Huck tem o direito de ter o Rolex dele em paz, já que disse que é tão bom pagador de impostos quanto (ou melhor que) eu. O detalhe do Rolex só fica aqui para servir de ilustração ao exemplo da extrema desigualdade social retratado no momento do assalto.

       

      “Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. ”

       

      Eu também. Mas não basta. Além de ter pena, é necessário entender o complexo sistema social que transformou cidadãos de bem, como somos eu e o Huck (até que se prove o contrário) em assaltantes. Pena por pena, fica a dele para com os assaltantes, pela minha para com o Huck, que ficou sem o Rolex, e estamos quites.

       

      “Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.”

       

      O lugar de muito brasileiro é na cadeia. O lugar de gente que usa o meu imposto e o imposto do Huck para pagar pensão de bastardinha também deveria ser a cadeia. Imposto o qual deveria ser usado para criar oportunidades, educação e direito à infância para brasileiros que hoje estão apontando revólveres para outros brasileiros.

       

      “Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.”

       

      Compartilho da indignação com relação a utilidade da polícia. Os problemas que envolvem esta instituição brasileira são muitos: corrupção, salários injustos, falta de equipamentos adequados para o exercício da função e presídios superlotados. Mas no meu ponto de vista, o problema da polícia é de ordem matemática: não haverão celas suficientes para prender todo mundo que deva ser preso.

       

      É mais inteligente atacar o problema pelas duas pontas. Que tal voltarmos a atenção às palavras “infância”, “educação” e “oportunidade”, do item anterior? Acredito que tornando-as realidade em nosso país, conseguiremos diminuir drasticamente a violência que nos assola diariamente.

       

      “Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.”

       

      Claro que não estamos vivendo em Bogotá. Lá não se arrastam crianças por sete quilômetros no asfalto. E do meu ponto de vista, filosofia nenhuma vale mais do que ter um vidro a prova de balas separando a minha cabeça de um “três-oitão”. Sorte daqueles que podem andar num carro blindado.

       

      “Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia?”

       

      Faltou verba (foi usada na pensão da bastardinha citada em item anterior).

       

      “Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio. Isso não está certo.”

       

      Sinto pelo terror e ódio que lhe tomaram devido ao incidente. Sinto muito mesmo. Infelizmente eu também já tenho um “assalto para chamar de meu”. Só gostaria de lembrar que a sensação de de vergonha não é só nossa. É também daqueles que não tem um emprego, daqueles que não podem dar de comer a seus filhos. Daqueles que têm familiares sucumbindo pela falta de tratamento médico em hospitais públicos, e daqueles que perdem suas crianças para o crime organizado.

       

      Isto também não está certo.

       

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      10 Apr 2007

      HOWTO - Viajar para o interior de São Paulo nos feriados

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      No feriado da Páscoa, eu e mais um milhão de infelizes decidimos (ou precisamos) viajar de São Paulo para o interior do estado. Tal qual um dia de trabalho corriqueiro, ir foi fácil (nem tanto); voltar é que foi embaçado... A viagem que eu faço religiosamente todo final de semana é de São Paulo a Itapetininga. Pego a Castello Branco (SP 280) até Tatuí, onde pela Antonio Romano Schincariol (SP 127) chego em Itapetininga.
      Media_httpblogdouglas_hfwvj
      Em finais de semana normais, isto é, sem feriado, não tenho do que reclamar das estradas. Prá sair de São Paulo no final da tarde de uma sexta-feira é bem difícil, e eu normalmente escolho pegar a pista local da Castello Branco, o que adiciona um pedágio a mais na viagem, mas encurta o tempo da aventura em uma meia hora. Mas "feriadão" é outra história. Nos horários de pico (visite o site da concessionária da rodovia para descobrir dia e horário de pico) fica tudo parado. No começo do feriado, sentido capital-interior, o trânsito melhora só depois da metade da Castello (depois de Itu). Na volta, piora. No feriado da Páscoa foi o meu recorde: todo o trecho da Castello que eu pego estava parado. Foi aí que eu decidi que era melhor pegar um caminho maior que não estivesse tão congestionado. Saí da Castello na altura de Sorocaba, e peguei trânsito livre por todo o caminho. Assim surgiu a rota mágica dos feriados.
      Media_httpblogdouglas_cfqji
      Vou descrever o caminho no sentido interior-capital, saindo de Itapetininga, porque a volta é sempre pior mesmo. Ao invés de ir pela SP 127 até a Castello, onde a pista é dupla e o limite de velocidade é maior, vá pela Raposo Tavares (SP 270) até Sorocaba. Metade do caminho é de pista simples, paciência. Chegando em Sorocaba, pegue a Rod. Sen. José Ermírio de Morais (SP 75, chama Santos Dumont quando chega mais perto de Campinas) até Itu. Importante: tem duas entradas para Itu, pegue a segunda. Dentro da cidade, siga as placas que indicam a direção para Jundiaí e Cabreúva. Esta rodovia é a SP 300 (Rod Dom Gabriel Paulino Bueno Couto), a qual cruza o trecho Campinas-São Paulo da Bandeirantes mais ou menos na metade. A SP 300 já está duplicada em quase todo o trecho e mesmo sendo bem próxima de São Paulo estava completamente vazia no feriado. A partir dela pega-se a Bandeirantes (SP 348), que congestiona pouco, dado o número de pistas que ela tem.
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