Eu já assinei. E você?
Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça
Eu já assinei. E você?
Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça
Na CartaCapital:
Continuamos a não saber o que temos em mãos Depois de nos esbaldarmos com a organização e o planejamento apresentados na Copa de Alemanha, me dá medo (e espero não passar vergonha) pensar no que oferecemos aos nossos visitantes em 2014.
Eu também só espero não passar vergonha.
Sem a documentação apropriada? Pense de novo...
Justiça proíbe games 'Counter-Strike' e 'Everquest' no Brasil
Fatos:
(para ler ouvindo “Cachimbo da paz”, de “Gabriel o Pensador”)
Na semana passada o apresentador Luciano Huck foi assaltado. Bandidos levaram seu Rolex nos Jardins, São Paulo. Huck nada pôde fazer pois desistiu de andar de carro blindado por “filosofia”. Mais detalhes da história e da sua indignação podem ser encontrados no texto que a vítima publicou na Folha de São Paulo desta segunda-feira, primeiro de outubro. Como o link para o texto original é restrito aos assinantes do jornal e do provedor, vou transcrever alguns trechos mais interessantes aqui, e aproveitarei para adicionar minhas impressões particulares sobre o ocorrido e a atual situação da violência no Brasil.
“LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura. Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio.“
Um relógio, não. Um Rolex. Uma jóia, muito valiosa. Apenas para fins de comparação, lembro que em fevereiro morreu uma criança de seis anos arrastada por sete quilômetros num assalto “por causa de” um Corsa Sedan, que com certeza vale menos que o Rolex.
Não que eu queira justificar que a posse de um Rolex é uma afronta à pobreza espalhada pelo país, e que isto justifica o crime. Acredito que o Huck tem o direito de ter o Rolex dele em paz, já que disse que é tão bom pagador de impostos quanto (ou melhor que) eu. O detalhe do Rolex só fica aqui para servir de ilustração ao exemplo da extrema desigualdade social retratado no momento do assalto.
“Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. ”
Eu também. Mas não basta. Além de ter pena, é necessário entender o complexo sistema social que transformou cidadãos de bem, como somos eu e o Huck (até que se prove o contrário) em assaltantes. Pena por pena, fica a dele para com os assaltantes, pela minha para com o Huck, que ficou sem o Rolex, e estamos quites.
“Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.”
O lugar de muito brasileiro é na cadeia. O lugar de gente que usa o meu imposto e o imposto do Huck para pagar pensão de bastardinha também deveria ser a cadeia. Imposto o qual deveria ser usado para criar oportunidades, educação e direito à infância para brasileiros que hoje estão apontando revólveres para outros brasileiros.
“Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.”
Compartilho da indignação com relação a utilidade da polícia. Os problemas que envolvem esta instituição brasileira são muitos: corrupção, salários injustos, falta de equipamentos adequados para o exercício da função e presídios superlotados. Mas no meu ponto de vista, o problema da polícia é de ordem matemática: não haverão celas suficientes para prender todo mundo que deva ser preso.
É mais inteligente atacar o problema pelas duas pontas. Que tal voltarmos a atenção às palavras “infância”, “educação” e “oportunidade”, do item anterior? Acredito que tornando-as realidade em nosso país, conseguiremos diminuir drasticamente a violência que nos assola diariamente.
“Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.”
Claro que não estamos vivendo em Bogotá. Lá não se arrastam crianças por sete quilômetros no asfalto. E do meu ponto de vista, filosofia nenhuma vale mais do que ter um vidro a prova de balas separando a minha cabeça de um “três-oitão”. Sorte daqueles que podem andar num carro blindado.
“Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia?”
Faltou verba (foi usada na pensão da bastardinha citada em item anterior).
“Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio. Isso não está certo.”
Sinto pelo terror e ódio que lhe tomaram devido ao incidente. Sinto muito mesmo. Infelizmente eu também já tenho um “assalto para chamar de meu”. Só gostaria de lembrar que a sensação de de vergonha não é só nossa. É também daqueles que não tem um emprego, daqueles que não podem dar de comer a seus filhos. Daqueles que têm familiares sucumbindo pela falta de tratamento médico em hospitais públicos, e daqueles que perdem suas crianças para o crime organizado.
Isto também não está certo.
"Todo mundo sabia, quando o Brasil venceu o direito de sediar os jogos, que chegaria o momento em que os organizadores iriam chantagear o governo e que todas as leis de licitações e fiscalizações seriam jogadas pela janela em nome da pressa e para evitar manchar a fama do Brasil."Alguém acredita que na Copa do Mundo de 2014 a situação será outra?